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Analistas do TJSE denunciam postura intransigente e punitivista da Coordenadora de Perícias

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card ofício perícias parte interna

Em tempos de coronavírus, a desumanidade como prática parece estar contaminando áreas de gestão do Tribunal de Justiça de Sergipe. Em ofício encaminhado à Secretaria Judiciária do órgão, no início desse mês, a Coordenadora de Perícias Judiciais, Ana Cristina Machado Silva, proferiu uma série de informações inverídicas a respeito do trabalho desempenhado por analistas, chegando a dizer que “a produção de alguns, especialmente Serviço Social e Psicologia, ficou muito abaixo do razoável”.

Como forma de denunciar a atitude da coordenadora, analistas do TJSE elaboraram um documento em que ressaltam a “dificuldade da coordenadora de interpretar os dados e o seu total desconhecimento das rotinas de trabalho da equipe, o que pode induzir a gestão do TJ ao equívoco de uma análise descontextualizada”.

Numa atitude abertamente discriminatória contra a atuação de profissionais de Serviço Social e Psicologia do TJSE, Ana Cristina disse também que “... são reiteradas as reclamações dos diversos Juízos de Direito (...) acerca do considerável lapso temporal para entrega dos laudos, sendo comuns manifestações dos profissionais de Serviço Social e Psicologia no sentido de haver excesso de demanda. Entretanto, quando há um período "livre" (em torno de quarenta dias) para exclusiva produção dos laudos/relatórios, as Chefias alegam que não há o que os Analistas escreverem em virtude de não haver efetuado, sequer, o atendimento inicial das partes”.

Para argumentar a sua afirmação tendenciosa, a coordenadora - além de expor os servidores ao considerar como período “livre” o momento em que os profissionais não realizaram atendimentos presenciais diante da necessidade de afastamento social para evitar o contágio pela covid-19 - omite que analistas de Serviço Social e Psicologia, mesmo no período de pandemia do novo coronavírus, realizam diariamente uma série de atividades, como: acompanhamento diário das movimentações processuais; estudo dos autos processuais e elaboração de análise preliminar; escolha dos procedimentos técnicos que serão utilizados; agendamentos de procedimentos no SAP (Sistema de Agendamento de Processos); leitura de e-mail, respondendo às demandas ali presentes; providências relativas aos Malotes Digitais recebidos; reunião virtual com as chefias imediatas; participação em cursos de qualificação ofertados pela Escola Judicial.

De acordo com o conjunto de analistas que redigiu a denúncia e enviou ao SINDIJUS, as atitudes de Ana Cristina apenas expressam e reforçam a ausência de uma coordenação efetiva no setor de Perícias. “Mesmo antes desse momento de pandemia, os problemas relacionados à falta de coordenação do âmbito das perícias já eram visíveis. O quadro técnico dos analistas do TJSE é extremamente qualificado, mas carente de uma coordenação que padronize fluxos de trabalho e que busque sim a produtividade, no entanto, sem o comprometimento da qualidade das atividades desempenhadas”, destaca um trecho o documento.

Outra crítica das trabalhadoras e trabalhadores diz respeito à solicitação feita pela coordenadora de Perícias de “auxílio no sentido de quais medidas poderão ser tomadas para os casos apresentados”. De acordo com o grupo de analistas, esse é “mais um exemplo da deficiência do trabalho de articulação e gestão de equipe, já que, ao invés de buscar estabelecer um canal de comunicação e diálogo com a equipe, a coordenadora transfere a sua responsabilidade de gestão a instâncias superiores, numa conotação de culpabilização e punição desses profissionais”.

Os profissionais de Serviço Social e Psicologia que buscaram o apoio do SINDIJUS alertam ainda que “tal quadro de dificuldade de comunicação e de um ambiente harmônico no âmbito da Coordenadoria de Perícias pode ser desencadeador de adoecimento dos profissionais subordinados a este setor, inclusive com histórico de vários afastamentos” e, por esse motivo, solicitam que a Presidência do TJSE encaminhe o documento à Corregedoria Geral de Justiça, para a observação e intervenção sobre as práticas denunciadas.