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Como a desigualdade racial persiste no mercado de trabalho brasileiro

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A melhora da atividade econômica no Brasil no início do ano e as expectativas de crescimento do PIB trouxeram impactos positivos no mercado de trabalho: a taxa de desocupação diminuiu e o emprego formal cresceu. Além disso, a inflação mais baixa e o aumento do salário mínimo permitiram a elevação dos rendimentos médios dos trabalhadores brasileiros

 

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Apesar dos avanços, contudo, o mercado de trabalho ainda é um dos principais espaços de reprodução da desigualdade racial. É o que mostra o levantamento divulgado nesta sexta-feira 17, pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, o Dieese, a partir de dados da PNAD Contínua, do IBGE.

Os dados mostram que além da desigualdade de oportunidades, os negros ainda enfrentam tratamento diferenciado no mercado de trabalho.

Ainda que os negros representem 56,1% da população em idade de trabalho, entre os desempregados, 65,1% são negros.

Quando conseguem ocupação, as condições de inserção dos negros são mais desfavoráveis. Em geral, conseguem se colocar em postos mais precários e têm maiores dificuldades de ascensão profissional.

Profissionais negros ocupam apenas 33,7% dos cargos de direção e gerência. Isso significa que apenas um em cada 48 trabalhadores negros está em cargo de gerência, enquanto entre os homens não negros, a proporção é de um para cada 18 trabalhadores.

A proporção de negros empregadores também é menor no Brasil. Enquanto 1,8% das mulheres negras eram donas de negócios que empregavam funcionários, a proporção entre as não negras foi de 4,3%. Entre os homens negros, o percentual ficava em 3,6%. Entre os não negros, a proporção foi maior: 7%,

Além disso, a informalidade é maior entre os negros. Praticamente metade dos negros ocupados estava em trabalhos desprotegidos: 46,5% das mulheres negras e 45,8% dos homens negros. Entre os não negros, essa proporção foi de 34%.

Cenário ainda mais cruel é enfrentado pelas mulheres negras.

No recorte de gênero, a taxa de desocupação das mulheres negras é de 11,7%, o mesmo percentual enfrentados durante a pandemia pelas pessoas não negras.

Uma em cada seis (16%) mulheres negras ocupadas trabalha como empregada doméstica, uma das ocupações mais precarizadas em termos de direitos trabalhistas e reconhecimento.

As trabalhadoras domésticas negras sem carteira recebem, em média, R$ 904 por mês, valor R$ 416 abaixo do salário mínimo em vigência.
Salários menores

No 2º trimestre de 2023, os negros receberam, em média, 39,2% a menos que os não negros.

O fato de os negros estarem em maior proporção em postos de trabalho informais e com menor remuneração explica apenas parte da diferença de remuneração entre negros e não negros.

Mesmo quando comparados os rendimentos médios de negros e não negros na mesma posição na ocupação, os negros estão em desvantagem. Em todas as posições, o rendimento médio deles é inferior.



Fonte: Carta Capital