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Desembargadores se preocupam com vidas no TRE, mas colocam em risco servidores no TJSE

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Até quando o Tribunal de Justiça de Sergipe (TJSE) vai manter a tradição de prejudicar os servidores em tudo? Além de pagar um dos piores salários do Judiciário do Brasil, sobrecarregar os servidores por falta de condições de trabalho e muitas vezes cometer práticas antisindicais, o TJSE, num momento em que a própria humanidade está em risco, não assegura aos servidores o direito mais fundamental, que é a vida!

Ontem, o presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Sergipe (TRE-SE), desembargador Roberto Porto, decidiu suspender as atividades presenciais no órgão, optando pelo trabalho remoto. A decisão, apesar de acertada, expõe uma grande contradição: a decisão do desembargador Roberto Porto no TRE não foi a mesma que o Gabinete de Crise do TJSE - que ele também é integrante - decidiu na semana passada, quando manteve as atividades presenciais no Judiciário Estadual, colocando em risco as vidas dos servidores e da população.

Diante do agravamento da crise sanitária e após o Brasil ter batido sucessivos recordes de mortes nos últimos dias, a direção do Sindijus solicitou novamente que a Presidência do Tribunal suspenda imediatamente as atividades presenciais no órgão. O último pedido foi feito por meio de ofício, protocolado segunda-feira, 01.

“Esta situação é muito grave! Alguns desembargadores já reconhecem o perigo da pandemia no TRE, mas o TJSE continua colocando em risco as vidas dos trabalhadores e da população. É necessário suspender imediatamente o trabalho presencial, definir as atividades essenciais mínimas a serem realizadas e fornecer as condições para realização do trabalho remoto", defende a coordenadora geral do Sindijus, Sara do Ó, acrescentando que os juízes e desembargadores do TJSE estão desobrigados do trabalho presencial há quase um ano.

A direção do Sindijus considera que foi imprudente a postura da gestão que encerrou recentemente o mandato na Presidência do TJ, que desde agosto do ano passado adotou essa política de colocar em perigo a saúde e a vida dos servidores e, ainda, cortou os salários dos servidores que aderiram à greve sanitária em defesa da vida, mesmo estes tendo trabalhado e produzido de suas casas durante 19 dias.

“Acreditamos que o novo presidente do Tribunal, desembargador Edson Ulisses, é conhecedor dos direitos humanos, pois tem feito declarações públicas sobre a necessidade de combater o negacionismo e preservar vidas, o que concordamos! Neste momento, é urgente que ele coloque esses ideias em prática e atenda os requerimentos que nós já apresentamos, para suspender imediatamente as atividades presenciais em todas unidades do TJ, sob risco de seguir os passos da gestão que lhe antecedeu e causou muitos danos a nós, servidores”, concluiu a coordenadora do Sindijus.