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Inflação em alta empobrece trabalhadores e reforça importância da revisão inflacionária

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A última Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, realizada mensalmente pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) em 17 capitais brasileiras, demonstrou que o custo médio de 12 produtos da cesta básica de alimentos em setembro aumentou em 13 cidades e diminuiu em quatro.

Apesar da cesta básica da cidade de Aracaju constar na lista como a menos cara do Brasil (R$456,40), a capital sergipana registrou o maior índice de aumento no preço do leite e da manteiga (5,70% entre julho e agosto), e acompanhou o aumento geral observado nos preços do café, açúcar e batata. A carestia atinge principalmente os trabalhadores, e o instrumento para reduzir os danos ao orçamento familiar é a revisão inflacionária dos salários.

Para o economista do Dieese em Aracaju, Luiz Moura, na atual conjuntura, seriam necessários três salários mínimos para gasto com alimentação de uma família no Brasil. “Em um ano, observada a média das cidades, a variação da cesta básica foi de 24%. Considerando o salário mínimo, com os descontos do INSS, hoje o brasileiro gasta quase a metade do seu provento apenas com alimentação”, explica.

As maiores variações são nos preços do óleo de soja 80%, e carne mais de 30%. Hoje 67% dos brasileiros não estão consumindo carne. Em Sergipe, a população tem enfrentado o aumento do preço da energia elétrica, que sofreu revisão tarifária de 7%, passando a bandeira vermelha de 9 reais para 14 reais.

O aumento constante dos preços do gás de cozinha, gasolina e diesel também é tema de grande debate público. Esses produtos têm impacto relevante na vida das pessoas e na economia. Segundo nota técnica do Dieese, em nove meses, entre janeiro e setembro de 2021, o preço do litro do óleo diesel acumula alta de 51% no valor cobrado nas refinarias, saindo de R$ 2,02 para R$ 3,06 com o mais recente aumento anunciado pela Petrobras de 8,9%.

O último aumento pela estatal foi implementado menos de 24 horas depois de o presidente da república Jair Bolsonaro (sem partido) afirmar que o governo federal não tem responsabilidade no aumento dos preços dos combustíveis. O aumento integra a série de reajustes implementados pela Petrobras no cobrado nas refinarias de petróleo para extração e produção de cada combustível derivado. Somente em 2021 foram mais de 10 aumentos aprovados pela estatal com base na política de preços defendida por Bolsonaro.

Custo de vida

Os índices oficiais para medição do custo de vida da população são o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), ambos aferidos pelo IBGE. Unidos à pesquisa mensal da cesta básica no Brasil realizada pelo Dieese, os atuais índices demonstram o panorama do empobrecimento dos brasileiros diante da crise, uma vez que os salários não acompanham os reajustes nos preços dos produtos e serviços.

O INPC verifica a variação do custo de vida médio apenas de famílias com renda mensal de 1 a 5 salários mínimos. Esses grupos são mais sensíveis às variações de preços, pois tendem a gastar todo o seu rendimento em itens básicos, como alimentação, medicamentos, transporte etc. Em agosto, o INPC teve alta de 0,88%. Em 2021, o indicador acumula elevação de 5,94% e, em 12 meses, de 10,42%, acima dos 9,85% observados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em agosto de 2020, a taxa foi de 0,36%.

Observados os fatores que influenciam no aumento exorbitante do custo de vida no Brasil, resta aos trabalhadores e trabalhadoras reivindicarem a adequação salarial a esta realidade, que vem retirando o alimento da mesa dos brasileiros.