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Campanha salarial judiciario TJSE Sindijus

 

“Que Justiça é essa que só atende aos de cima?" Esse é o questionamento que a categoria dos servidores do Tribunal de Justiça de Sergipe traz na campanha salarial 2018. A campanha promete fazer uma discussão pública sobre a distância do Judiciário em relação aos interesses da maioria da população, os trabalhadores.


As primeiras mídias publicitárias da campanha já estão nas ruas de Aracaju. Outdoors e painéis causam impacto em que vê, com o grande espaço em branco que separa a balança, símbolo da justiça, posicionada no alto das peças, das pessoas que estão na base, que representam o povo, entre as quais se incluem os trabalhadores do TJSE. Outras mídias serão veiculadas no decorrer da campanha na internet, jornais, rádio e vídeos. Materiais como panfletos, camisas e adesivos também estão sendo produzidos e serão distribuídos em breve, em todos os fóruns e unidades administrativas onde trabalham os sindicalizados.


O Brasil é um país que se destaca por inversão de valores, preconceitos e direitos sociais que são defenestrados para sustentar os privilégios medievais de uma pequena elite. O Poder Judiciário, ao invés de equilibrar a balança, cria leis, retira direitos e faz política, sistematicamente, para manter o status quo que favorece uma casta que inclui muitos dos seus membros. A nobreza de toga age como o braço repressor da classe dominante e, na democracia cada vez mais abatida, passa longe de atender aos interesses dos reles mortais.


Fechamento de fóruns, cumplicidade com perdas salariais e declaração de quase todas as greves ilegais são alguns exemplos da atuação dos tribunais que prejudicam principalmente a classe trabalhadora. Internamente, no Judiciário sergipano, o distanciamento da cúpula também é impactante. Existe um tribunal dos privilégios nababescos, como remunerações acima do teto, indenizações milionárias, férias de 60 dias e auxílio moradia maior que o salário de alguns servidores; e outro tribunal da eterna crise, dos piores salários da justiça do país e dos direitos que não são cumpridos  vide as URVs.


Logo após a aprovação de um aumento que eleva os subsídios dos juízes – que viraram piso – de R$ 33 mil para R$ 39 mil reais, o Sindijus vem a público denunciar que as mesmas injustiças que ocorrem fora do Judiciário, acontecem no seu interior. Pois as diferenças entre juízes e servidores é imensa.


O coordenador de Relações Institucionais e Comunicação do Sindijus, Marcelo Ferreira, explica o propósito da nova campanha. "A campanha que o Sindijus leva pras ruas, neste ano, é um grito da sociedade que não aceita mais ver o Judiciário a serviço de uma minoria ambiciosa que não tem limites para acumular riqueza, enquanto o povo está perdendo direitos e empobrecendo. No momento em que juízes recebem 16% de aumento, famílias inteiras no Brasil precisam se manter com 954 reais. E nós, que trabalhamos no tribunal, também estamos na quota dos que pagam a conta desse sistema injusto. Conquistamos Selo Diamante de produtividade, mas sofremos perdas salariais e de direitos. Esperamos que a gestão do TJ encare essa realidade e abra o diálogo para aproximar o Judiciário dos trabalhadores."


Os servidores do TJSE são conhecidos por organizarem, através do Sindijus, campanhas memoráveis que deixaram muitas lições em Sergipe. Já levaram pras ruas vacas, marajás, pratos vazios, troféu abacaxi, cascas de banana e, mais recente, o telhado de vidro. Nessas batalhas foram conquistados alguns avanços conjunturais, mas não alteraram a estrutura elitista tão distante da realidade da maioria da população. Por isso, a luta por justiça continua. Na campanha 2018, os servidores do TJSE dão a senha: “Reduzir desigualdades é fazer justiça.”