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Servidores avisam ao TJSE: 'Quando o monstro da inflação ataca, não dá para esperar'

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A gestão do Tribunal de Justiça de Sergipe continua descumprindo a legislação e acumulando dívidas com os servidores. E para enfrentar o dragão da inflação, é preciso revisão salarial já!

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No mundo do faz de conta, esbarrar com um dragão é bem comum, e, geralmente, essa criatura assustadora representa um dos piores obstáculos na saga dos heróis. Trazendo para o nosso mundo de “fazer contas”, essa figura que andava meio esquecida – ou até desconhecida pela parcela mais jovem população – reaparece com força total, é o perverso dragão da inflação!

Os servidores do Tribunal de Justiça de Sergipe (TJSE), que foram os heróis que enfrentaram o coronavírus e garantiram o funcionamento do Judiciário com alta produtividade durante toda a pandemia, agora têm esse inimigo para enfrentar. Por isso, o mote da nova Campanha Salarial do Sindijus é: 'Quando o monstro da inflação ataca, não dá para esperar, revisão já!'

A campanha foi aprovada na reunião da Assembleia Geral da categoria, no último dia 17, quando também atualizou a pauta de reivindicações. O dragão representa o aumento dos preços, a corrosão dos salários e a diminuição do poder de compra. Uma fera e tanto, que ameaça a sobrevivência das pessoas! Mas diferente das fábulas, esse é um monstro real, criado pelas políticas do governo federal e de gestores e patrões que têm a estratégia de atacar os direitos da classe trabalhadora.

O Brasil voltou a registrar inflação na casa dos dois dígitos, com o maior índice para o mês de setembro observado desde os primórdios do Plano Real, em 1994. Até outubro, com as políticas do governo Bolsonaro (sem partido) de aumento dos combustíveis, a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumula alta de 8,24% no ano e de 10,67% nos últimos 12 meses, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O brasileiro ainda tem uma ‘memória inflacionária’ e carrega no DNA o ‘medo da inflação’. Em termos práticos, inflação nada mais é do que a perda do valor do dinheiro. E o efeito mais imediato da disparada dos preços é o encolhimento da renda e o empobrecimento da população. No dia a dia, isso significa que o trabalhador não consegue mais manter o mesmo poder aquisitivo, sendo impedido de adquirir bens e serviços. E essa é a expressão mais clara do empobrecimento das famílias.

A volta de uma inflação anual acima de 10%, tem consequências diretas não só no bolso dos trabalhadores brasileiros, mas também nas perspectivas para o emprego, renda, crédito e crescimento da economia. Se não houver consciência do governo federal e gestores públicos para contorna-la rápido, levará a população a um empobrecimento que se estenderá por muitos anos ou décadas.


Inflação no TJSE

A dívida da gestão do Tribunal de Justiça de Sergipe (TJSE) com os servidores efetivos reflete os gastos de centenas de milhões de reais em privilégios para uma minoria durante anos, agora somados a atual realidade inflacionária. Na segunda semana de janeiro, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) divulgou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) de 2021: 10,16%.

Com a definição da inflação, o prejuízo causado pelo TJSE aos servidores efetivos do órgão, com a não recomposição salarial, é de 15,61% nos auxílios saúde e alimentação e de 12,61% no vencimento básico. Essa perda varia de um mínimo mensal de R$ 259,00 - no caso dos agentes judiciários – a até cerca de R$ 3.000, para escrivães.

E para fazer frente a voracidade desse monstro, que faz o salário do servidor dos servidores virar cinzas a cada mês, é que na nova campanha o Sindijus exige ‘Revisão Já’. “É preciso combater o monstro que causa inflação e seus efeitos danosos aos trabalhadores. Mas é preciso fazer isso rápido e por inteiro, porque quando o monstro da inflação ataca não dá para esperar”, explica o coordenador geral do Sindijus Jones Ribeiro.

Para se ter uma ideia de como essa perda corrói o salário dos trabalhadores, o sindicato fez um levantamento sobre o impacto da não revisão nos auxílios saúde e alimentação. Os prejuízos acumulados vão de R$ 1,3 mil a R$ 1,9 mil, a depender da idade. Essa cifra é significativa para a maioria dos 2.500 servidores efetivos do TJSE, que recebem de R$ 3 mil a R$ 5 mil.

E a situação é perversa não só com quem ganha menos, mas também com os aposentados, que não têm direito ao vale-alimentação e ao se afastarem, perdem uma fatia considerável da renda. “É muita injustiça”, lamenta a coordenadora geral do Sindijus, Sara do Ó.

Veja, o impacto mensal da perda de 12,61% nos salários da categoria:
- agentes judiciários: de R$ 259 à R$ 699
- técnicos judiciários: de R$ 419 à R$ 1.056
- analistas judiciários: de R$ 688 à R$ 1.732
- oficiais de justiça: de R$ 928 á R$ 2.805
- escrivães: de R$ 878 à R$ 2.975