Redução da jornada para 40 horas pode permitir que 425 mil jovens conciliem trabalho e estudo, aponta Dieese

 

Reducao da Jornada de Trabalho tema vem sendo discutido no Brasil e pode trazer mudancas na CLT 1200x900 1

 

Uma eventual redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas poderia ampliar significativamente o acesso dos jovens à educação. Estudo divulgado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) estima que até 425 mil brasileiros entre 18 e 29 anos poderiam passar a conciliar emprego formal e estudos caso trabalhadores submetidos a jornadas superiores a 40 horas tivessem a carga horária reduzida.

 

Os dados integram o boletim “Redução da jornada de trabalho e qualificação”, publicado em maio deste ano. O levantamento utiliza informações da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) de 2024 e da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua), do IBGE.

 

Segundo o estudo, três em cada quatro trabalhadores celetistas no país cumprem jornadas superiores a 40 horas semanais. Em números absolutos, são cerca de 36,6 milhões de vínculos formais nessa condição. A jornada média dos empregados contratados pela CLT alcançou 41 horas e 32 minutos semanais em 2024.

 

A situação é ainda mais frequente em alguns setores da economia. Na agropecuária, 94% dos vínculos registrados possuem jornadas acima de 40 horas. Na construção civil, o índice chega a 93%, enquanto no comércio alcança 91%.

 

O boletim foi divulgado em meio ao debate nacional sobre a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6x1. Entre as propostas em discussão está o Projeto de Lei nº 1.838/2026, que prevê jornada semanal de 40 horas, manutenção dos salários e garantia de dois dias de descanso por semana, preferencialmente aos sábados e domingos.

 

Menos horas, mais estudo

A análise do Dieese aponta uma relação direta entre a duração da jornada e a permanência dos jovens na escola. Entre trabalhadores formais de até 29 anos com jornadas inferiores a 36 horas semanais, metade frequentava instituições de ensino. Já entre aqueles submetidos a jornadas de 41 a 44 horas, apenas 17,1% conciliavam trabalho e estudo. O percentual cai para 14,8% entre quem trabalha de 45 a 48 horas semanais.

 

Entre os jovens de 18 a 24 anos, a diferença é ainda mais acentuada. Enquanto 28% dos que trabalham exatamente 40 horas semanais estudam, o índice recua para 20% entre aqueles com jornadas de 41 a 44 horas. Nesse grupo, 19% sequer concluíram o ensino médio.

 

Para os pesquisadores, jornadas extensas reduzem o tempo disponível para qualificação profissional, formação continuada e desenvolvimento educacional, fatores considerados importantes para a produtividade da economia e para a mobilidade social dos trabalhadores.

 

O estudo também contesta a ideia de que trabalhar mais horas está necessariamente associado a maiores rendimentos. Em 2024, trabalhadores com jornada de exatamente 40 horas recebiam, em média, R$ 5.555 por mês. Já aqueles que trabalhavam entre 41 e 44 horas semanais tinham remuneração média de R$ 2.560 — valor 117% inferior.

 

Outro dado destacado pelo Dieese é que jornadas de 40 horas são mais comuns entre trabalhadores com ensino superior completo. Quase metade deles (47%) estava nessa faixa de carga horária. Entre os empregados com ensino médio completo, predominavam jornadas entre 41 e 44 horas semanais.

 

Debate histórico

O Dieese lembra que a redução da jornada de trabalho é uma reivindicação histórica do movimento sindical. A última mudança estrutural ocorreu com a Constituição de 1988, que reduziu a jornada máxima semanal de 48 para 44 horas. Segundo a entidade, a medida não provocou prejuízos à economia brasileira.

 

Nas conclusões do estudo, os pesquisadores afirmam que a redução da jornada não representa apenas uma melhoria das condições de vida dos trabalhadores, mas também pode gerar impactos econômicos positivos ao ampliar o acesso à educação e à qualificação profissional, especialmente entre os jovens.

 

Fonte: Dieese

 

 

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