
Os eleitores de Sergipe vão às urnas no próximo domingo (4) para escolher o governador e dois senadores que representarão o estado a partir de 2027, além do Presidente da República e dos deputados estaduais e federais. Seis candidatos disputam o Executivo sergipano, enquanto 11 concorrem às duas vagas a que o estado tem direito no Senado. Ao todo, 1.740.240 eleitoras e eleitores estão aptos a votar no estado, segundo o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-SE). Eventual segundo turno acontecerá em 25 de outubro.
O governador é eleito pelo sistema majoritário. Para vencer no primeiro turno, o candidato precisa obter mais da metade dos votos válidos, excluídos os brancos e nulos. Se nenhum deles atingir esse percentual, os dois mais votados avançam para o segundo turno, e é eleito quem obtiver a maioria dos votos válidos.
À frente do Poder Executivo estadual, o governador é responsável pela administração do Estado e pela execução de políticas públicas e serviços de competência estadual. Entre suas atribuições estão elaborar e executar o orçamento, coordenar áreas como saúde, educação, segurança pública e infraestrutura, nomear secretários, sancionar ou vetar projetos aprovados pela Assembleia Legislativa (Alese), entre outras.
Já na corrida ao Senado, a eleição em Sergipe tende a ser ainda mais pulverizada. Diferentemente de 2022, quando cada estado escolheu apenas um representante para a Casa, neste ano cada eleitor sergipano poderá votar em dois candidatos para o cargo.
O senador também é eleito pelo sistema majoritário. Cada estado e o Distrito Federal têm direito a três representantes na Casa Alta, cada um com mandato de oito anos. Em 2026, como haverá renovação de dois terços do Senado, cada eleitor sergipano poderá votar em dois candidatos. Serão eleitos os dois mais votados, independentemente de atingirem um percentual mínimo dos votos válidos.
Entre suas principais atribuições estão propor, discutir e votar projetos de lei, aprovar autoridades indicadas para determinados cargos, fiscalizar os atos do governo federal e analisar matérias de interesse dos estados. Também cabe exclusivamente ao Senado julgar determinadas autoridades por crimes de responsabilidade e autorizar operações financeiras que envolvam estados, municípios e a União.
A Mangue Jornalismo reúne nesta reportagem os nomes que disputarão os dois principais cargos em disputa no estado e apresenta informações básicas sobre trajetória política, patrimônio declarado à Justiça Eleitoral, composição das chapas e suplentes.
Quem disputa o governo do Estado
Eleito no segundo turno em 2022, Fábio tenta permanecer no comando do governo de Sergipe por mais quatro anos. Formado em administração, o candidato tem 49 anos e já exerceu os cargos de vereador, deputado federal por duas vezes, além de ter sido secretário de Esportes da capital sergipana e secretário de Estado do Trabalho em Sergipe. Ele terá Jeferson Andrade, do PSD, como candidato a vice-governador na coligação Sergipe cresce com você, que conta com PSB, PSD, Federação União Progressista (União/PP) e Federação Brasil da Esperança (PT/PC do B/PV). O candidato declarou patrimônio de R$ 1.698.945,66 à Justiça Eleitoral.
Seu principal adversário neste pleito, Valmir de Francisquinho, tem 57 anos, é empresário e já exerceu os cargos de vereador por dois mandatos e também foi eleito prefeito de Itabaiana por três vezes. Em 2022, tentou concorrer ao governo do estado, mas teve a candidatura barrada pela Justiça. Neste ano, terá Priscila Felizola, do Republicanos, como candidata a vice-governadora na sua coligação, da qual também faz parte o partido Avante. Valmir declarou patrimônio de R$ 258 mil.
Candidato do PSOL, José Helton Silva Monteiro tem 50 anos, é médico e nunca exerceu cargos públicos anteriormente, mas atuou nos conselhos estadual e municipal da Saúde, além de ser presidente licenciado do Sindicato dos Médicos em Sergipe (Sindimed). Ele terá Izaltina Quilombola, também do PSOL, como candidata a vice-governadora. O postulante ao Palácio dos Despachos declarou patrimônio de R$ 47 mil à Justiça Eleitoral.
Emanuel Cacho, de 66 anos, é empresário e concorre pela Federação PSDB/Cidadania. Foi secretário de Estado da Justiça em Sergipe de 2003 a 2006, quando foi eleito suplente de senador na chapa com Maria do Carmo. Também foi presidente da Associação Brasileira dos Advogados Criminalistas. Em 2010, foi candidato a senador pelo PPS, mas não se elegeu. Quatro anos depois, tentou uma vaga como deputado estadual, então pelo PEN, mas teve a candidatura considerada inapta pela Justiça Eleitoral. Neste ano, na disputa ao governo, terá Suely Barreto, do Cidadania, como candidata a vice. Ele declarou ter R$ 600 mil em bens ao TRE-SE.
Jornalista, Ricardo Marques é o candidato do PL no pleito. Aos 57 anos, ele já foi vereador e vice-prefeito de Aracaju. Em 2022, então pelo Cidadania, se candidatou a deputado estadual, mas não foi eleito. Ricardo anunciou a vereadora de Barra dos Coqueiros Pastora Salete, também do PL, como sua companheira de chapa na vaga de vice. No sábado, porém, ela renunciou ao posto e anunciou que apoiará Valmir de Francisquinho na disputa ao governo. Pela legislação, o PL tem dez dias para indicar outro nome. Ricardo Marques não declarou bens ou patrimônio à Justiça Eleitoral.
Tatiana Cristina Santos de Jesus, de 44 anos, é jornalista, palestrante e empresária e foi oficializada pelo Democracia Cristã (DC) como candidata ao governo de Sergipe. Esta é a primeira vez que concorre a um cargo público. Simeão Barbosa, também do DC, será o candidato a vice-governador na chapa. A candidata declarou patrimônio de R$ 108 mil à Justiça Eleitoral.
As candidaturas e suas propostas podem ser consultadas no sistema DivulgaCandContas, que também reúne dados de prestação de contas, doadores e fornecedores. Acesse a plataforma aqui.
Os candidatos ao Senado
Sergipe terá 11 candidatos na corrida pela Casa Alta, de acordo com as informações registradas no TSE.
André Moura (União Brasil) e Rogério Carvalho (PT) integram a chapa liderada por Fábio Mitidieri (PSD). Ex-deputado federal por dois mandatos, Moura foi prefeito de Pirambu entre 1997 e 2004. Após deixar o cargo, foi acusado de envolvimento em esquemas de corrupção no município e condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em 2021, por peculato e associação criminosa. Para evitar a prisão, firmou um acordo de não persecução penal com o STF, que previa a devolução de recursos que teriam sido desviados dos cofres públicos. Os termos do acordo até hoje são desconhecidos. Moura também foi líder do governo de Michel Temer no Congresso Nacional. Entre 2019 e 2023, ocupou as secretarias da Casa Civil e de Governo do Rio de Janeiro. Ele declarou R$ 2.346.578,65 em bens à Justiça Eleitoral.
Rogério Carvalho, de 57 anos, é médico, com residência em medicina preventiva e social, especialização em gestão hospitalar e mestrado e doutorado em saúde coletiva. Iniciou a trajetória política no movimento estudantil. Entre 2001 e 2006, foi secretário municipal de Saúde de Aracaju. Em 2006, elegeu-se deputado estadual e, posteriormente, comandou a Secretaria de Estado da Saúde, onde permaneceu até 2010, quando foi eleito deputado federal. Em 2014, disputou pela primeira vez uma vaga no Senado, mas não foi eleito. Quatro anos depois, conquistou uma cadeira na Casa e está no fim do primeiro mandato. Em 2022, concorreu ao governo de Sergipe e recebeu 48,3% dos votos válidos no segundo turno. À Justiça Eleitoral, ele informou ter R$ 846.990 mil em bens à Justiça Eleitoral.
Coronel Rocha e Rodrigo Valadares, ambos do PL, integram a chapa que apresentou Ricardo Marques à disputa pelo governo estadual. Rocha nasceu em São Gonçalo (RJ), tem 58 anos e é coronel da reserva da Polícia Militar de Sergipe. Entrou na política eleitoral em 2018, quando disputou uma vaga na Câmara dos Deputados, sem se eleger. Em 2020, concorreu à Prefeitura de São Cristóvão e terminou a disputa em quinto lugar. Rocha declarou R$ 371.500 em bens à Justiça Eleitoral.
Valadares, 36, é empresário e formado em Direito. Filho do ex-deputado federal Pedrinho Valadares, foi assessor técnico do Ministério de Minas e Energia em 2017. Elegeu-se deputado estadual em 2018 e, dois anos depois, disputou a Prefeitura de Aracaju, terminando em terceiro lugar. Em 2022, foi eleito deputado federal. Ele declarou R$ 498.331,12 em bens à Justiça Eleitoral.
Na chapa de Valmir de Francisquinho, do Republicanos, estão Delegado André David e Eduardo Amorim, também do Republicanos. Natural de Salvador, André David é delegado da Polícia Civil. Em 2022, concorreu à Câmara dos Deputados e chegou a ter a eleição anunciada pela imprensa, mas perdeu a vaga após a retotalização dos votos, terminando como suplente. Entre 2025 e abril deste ano, comandou a Secretaria de Defesa Social e Cidadania de Aracaju. Ele indicou à Justiça Eleitoral que não tem bens a declarar.
Amorim, de 63 anos, é médico anestesiologista, com especialização em dor, e advogado. Foi secretário estadual de Saúde entre 2003 e 2004. Em 2006, elegeu-se deputado federal e, posteriormente, chegou ao Senado, onde exerceu mandato entre 2011 e 2019. Disputou o governo de Sergipe em 2014 e 2018, sem se eleger. Em 2022, tentou retornar ao Senado e terminou a eleição em segundo lugar. Ele declarou R$ 1.842.149,58 em bens à Justiça Eleitoral.
Delegado Alessandro (MDB) e Edvaldo Nogueira (PDT) são candidatos que orbitam em torno da candidatura de Mitidieri. Os dois foram preteridos nas articulações políticas conduzidas pelo governador para a composição da chapa governista.
Natural de Passo Fundo (RS), Alessandro tem 51 anos, é bacharel em Direito e delegado da Polícia Civil de Sergipe. Chefiou a corporação entre 2016 e 2017. Estreou em eleições em 2018, quando foi eleito senador. Em 2022, disputou o governo de Sergipe e terminou em terceiro lugar. Ele declarou R$ 900 mil em bens à Justiça Eleitoral. Relator da CPI do Crime Organizado, Vieira pediu o indiciamento dos ministros do STF Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes e do procurador-geral da República, Paulo Gonet, por crimes de responsabilidade no caso do Banco Master. Em razão disso, é alvo de uma representação na PGR por suposto abuso de autoridade.
Edvaldo Nogueira, 65, é natural de Pão de Açúcar (AL). Frequentou o curso de Medicina, mas não concluiu a graduação. Iniciou a trajetória política no movimento estudantil e foi eleito vereador de Aracaju por dois mandatos, entre 1989 e 1997. A partir de 2001, exerceu duas vezes o cargo de vice-prefeito da capital. Assumiu a Prefeitura de Aracaju pela primeira vez em 2006, após a renúncia do então prefeito Marcelo Déda, e foi reeleito em 2008. Em 2014, disputou uma vaga na Câmara dos Deputados, mas não se elegeu. Retornou ao comando da capital em 2016 e foi reeleito em 2020. Ele declarou R$ 2.816.084,89 em bens à Justiça Eleitoral.
Iran Barbosa (PSOL) é o nome apresentado pela candidatura de Helton Monteiro ao governo. Aos 59 anos, é professor, formado em História e Direito. Dirigiu o Sindicato dos Professores de Sergipe e a seccional sergipana da Central Única dos Trabalhadores (CUT). Foi eleito vereador de Aracaju em 2004 e, dois anos depois, deputado federal. Em 2011, comandou a Secretaria de Estado dos Direitos Humanos e da Cidadania. Retornou à Câmara Municipal de Aracaju em 2012 e 2016 e, em 2018, foi eleito deputado estadual. Em 2022, tentou a reeleição para a Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese), mas não conseguiu. Em 2024, voltou a ser eleito vereador da capital. Ele declarou R$ 1.531.513,84 em bens à Justiça Eleitoral.
O Democracia Cristã lançou Renatinha e Paulinho da União como postulantes à Casa Alta nestas eleições. Este último, porém, renunciou à disputa por questões pessoais. Renatinha é estudante de Odontologia e disputa sua primeira eleição. Ela declarou R$ 104 mil em bens à Justiça Eleitoral.
Fonte: Mangue Jornalismo


