Ato abusivo: CNJ obriga servidores a usarem o próprio celular para trabalhar

CNJ PDPJ controle acesso

 

Uma nova exigência do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) tem provocado insatisfação entre servidores do Tribunal de Justiça de Sergipe (TJSE). Desde maio, o acesso a sistemas utilizados diariamente pelos servidores passou a depender da instalação de aplicativo autenticador em telefones particulares, sem que haja qualquer política de apoio, ressarcimento ou fornecimento de equipamentos por parte do Judiciário.

A mudança afeta diretamente o acesso à Intranet do TJSE, ambiente digital que concentra sistemas indispensáveis à rotina de trabalho dos servidores. É por meio dela que são acessadas plataformas como o Sistema de Controle Processual Virtual (SCPv), utilizado para a movimentação processual.


Até então, o acesso era realizado por meio de login e senha na Plataforma Digital do Poder Judiciário (PDPJ), mantido pelo CNJ. Agora, o Conselho Nacional exige a adoção obrigatória da autenticação em dois fatores por aplicativo. Isso significa que o servidor precisa utilizar seu próprio telefone celular para gerar códigos de segurança necessários para ingressar nos sistemas.


Um comunicado divulgado em 20 de março pelo CNJ orienta os usuários a baixar aplicativos como Google Authenticator, Microsoft Authenticator ou FreeOTP em seus aparelhos pessoais. O código de autenticação que antes era enviado por e-mail foi descontinuado.


Para os servidores, o problema não está na adoção de mecanismos de segurança digital, mas na forma invasiva como a medida foi implementada. A medida pressupõe que todos os trabalhadores disponham de smartphone com acesso à internet e transfere para estes a responsabilidade de manter seus equipamentos às disposição, sem qualquer consulta prévia ou contraprestação.


Para Milton Cruz, coordenador de Saúde e Relações de Trabalho do Sindijus, o CNJ está impondo novas obrigações aos servidores sem assumir qualquer responsabilidade.


"Entendemos a preocupação com a segurança digital, mas não concordamos com a forma como essa nova autenticação está sendo implementada, pois transfere o ônus para o servidor e isso afeta a sua vida privada. Seguindo esse procedimento do CNJ, se o servidor não estiver portando o seu celular ou esquecer de carregar a bateria, ele não consegue trabalhar”, alerta.


Segundo o dirigente do Sindijus, a principal preocupação não está na adoção de mecanismos adicionais de segurança, mas na exigência de utilização de equipamentos particulares para o exercício de atividades funcionais.


“O Tribunal e o CNJ não podem invadir a privacidade dos trabalhadores nem misturar o celular pessoal com o ambiente de trabalho. A gestão pública é quem deve fornecer as ferramentas necessárias ao trabalho, como celulares, internet, tokens etc, sem penalizar o bolso nem a rotina da nossa categoria", explica Milton.


No TJSE, existe mais uma alternativa de acesso à Intranet via botão "login e senha", destinado a “outros usuários” que não integram o quadro de servidores ou magistrados. No entanto, esse meio de acesso apresenta instabilidades, de modo que o ingresso dos servidores do órgão nos sistemas frequentemente acaba restrito à Plataforma Digital do Poder Judiciário (PDPJ) do CNJ.

 

 

 

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